Muuuuuuuuu….Educação bovina

São Paulo, segunda-feira, 28 de março de 2011 
 

RICARDO SEMLER

É bovina a humanidade? 


Quatro dos cinco países mais bem colocados no Pisa são de regimes dirigistas ou totalitários


A DEMOCRACIA, ao contrário do que parece, diminui a cada ano no mundo. Durma-se com esse ruído. Para quem se anima com os movimentos dos jovens árabes, há que se considerar que algumas derrocadas de ditadores mudarão pouco o quadro. 
A “The Economist” acompanha há quatro anos essa situação e não cai na conversa de países que têm eleições livres, mas manipulam a imprensa. E, desde que começou a monitorar 165 países, a democracia verdadeira tem caído ano a ano. 
Agora, jovens no Oriente Médio saem às ruas para derrubar monstros e palhaços que há décadas barbarizam seus países. Não cabe perguntar por que esses movimentos ocorrem, pois é óbvio.
Não vale creditar muito ao Facebook -facilita, mas onde estava a internet nas revoluções Americana (1776), Francesa (1789) e Russa (1917)? Vale, sim, perguntar por que os pais desses jovens aceitaram, plácida e bovinamente, décadas de ditadura deslavada. Por que brasileiros aceitaram duas décadas de ditadura militar ou por que americanos aceitaram que Bush afogasse em torturas -como se no porão do DOI-Codi- suspeitos de terrorismo?
Bufonaria em democracia ocorre sempre -é só mirar o Berlusconi ou lembrar que aquele seu Collor de Mello, que a bovina massa expulsou do poder, agora -desde o mês passado- nos representa no mundo como presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado! Cadê o movimento facebookiano dos jovens daqui? 
A primeira conclusão poderia ser a de que povo, contanto que seguro, com economia controlada e com medo de erguer a voz, aceita privações de liberdade. Com adição de terror consegue-se muito mais: juntar milhões de judeus em estações de trem ou fazer dezenas de milhões de indianos, iraquianos e ruandeses matarem seus vizinhos de muro. Suspenda-se esse raciocínio para pensar no resultado do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) sobre as nações mais educadas do mundo. Cansou-se, no Brasil, de dizer que a ditadura não investia em educação porque povo educado não tolera ditador. 
Agora, 4 dos 5 países melhores no ranking do Pisa estão sob regimes dirigistas ou totalitários. E agora, José? A verdade é que o sistema de educação no mundo divide-se em dois: o que manda aprender o que o governo quer (isso vai muito bem, obrigado, na Ásia) ou o que persiste num método de submissão para gerar uma linha de montagem de pessoinhas educadinhas que sirvam para o mercado de trabalho (é nóis na fita).
Os dois têm algo em comum: geram reações de manada que, a cada tanto, têm que se rebelar -mas só quando o absurdo passa de todos os limites. O que temos a dizer? Muuu?


RICARDO SEMLER , 51, é empresário. Foi scholar da Harvard Law School e professor no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachuesetts). Foi escolhido pelo Fórum Econômico de Davos como um dos Líderes Globais do Amanhã. Escreveu dois livros (“Virando a Própria Mesa” e “Você Está Louco”) que venderam 2 milhões de cópias em 34 línguas.
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