Ensino religioso : cruz credo – Educação na mídia – Comunicação e mídia – Todos Pela Educação

Ensino Religioso :

viaEducação na mídia – Comunicação e mídia – Todos Pela Educação.

Cruz Credo

 

11 de janeiro de 2011


OPINIÃO: CRUZ CREDO

Hélio Schwartsman afirma que o ”ensino religioso às expensas do Estado é, até onde vai a lógica formal, sempre incompatível com o princípio da laicidade”

HÉLIO SCHWARTSMAN

SÃO PAULO – Dilma Rousseff desceu do palanque e, ao que parece, se livrou da Bíblia e do crucifixo que adornavam seu gabinete. Fé é questão íntima e, se a mandatária não é religiosa, como sugere sua biografia, não há por que manter os adereços em seu escritório.

Passada a eleição e as tentativas de catequizar o processo político, é hora de voltar a discutir com serenidade os limites da separação entre Estado e igreja. Uma boa oportunidade para isso será o julgamento da Adin (ação direta de inconstitucionalidade) que o Ministério Público move contra o ensino religioso nas Escolas públicas e, de quebra, contra a concordata com o Vaticano.

Na Adin, protocolada em agosto, a subprocuradora-geral Deborah Duprat sustenta que a única forma de conciliar o princípio constitucional da laicidade do Estado (art. 19) com a exigência das aulas de religião no ciclo fundamental (art. 210 da Carta e art. 33 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação) é vetando o ensino de caráter confessional e adotando uma abordagem histórico-antropológica. Todas as partes já se manifestaram, e o processo, que corre sob rito abreviado, está pronto para ser julgado.

Estou com Duprat, mas receio que o buraco seja mais embaixo. O ensino religioso às expensas do Estado é, até onde vai a lógica formal, sempre incompatível com o princípio da laicidade. É claro que a abordagem histórica é preferível à confessional, mas, vale lembrar, estamos falando de crianças de 6 a 15 anos.

Desde 88, quando os constituintes, saldando seu dízimo para com a Igreja Católica, aprovaram o dispositivo, a ideia sempre foi doutrinar a garotada, não incutir-lhes noções de filosofia e antropologia -o que só seria feito com algum proveito a partir do ensino médio.

O melhor diagnóstico é o de Schopenhauer. Para ele, há na infância um período, entre os 6 e os 10 anos, durante o qual qualquer dogma bem inculcado, não importando quão extravagante ou absurdo, será mantido por toda a vida.

Fonte: Folha de São Paulo (SP)

Anúncios

2 opiniões sobre “Ensino religioso : cruz credo – Educação na mídia – Comunicação e mídia – Todos Pela Educação

  1. Só preciso discordar de duas coisas. Um, se um dogma bem inculcado na infâsncia não fosse removível metade de nós ainda seria católico ou crente.

    Dois, como aassim noções de filosofia e antropologia só teriam proveito no ensino médio? Tá maluco, cara? Quanto mais cedo se tem contato com filosofia, melhor. Existe todo um desenvolvimento do ensino de filosofia voltado a crianças. E quanto mais cedo se fala de diversidade cultural, mais temos pessoas que pensam por si mesmas e são mais tolerantes.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s