O papel do avós

Blog da Rosely Sayão – UOL Blog

O papel dos avós

Quando posso observar as relações familiares no espaço público, não perco a chance. Aliás, como a distinção entre o público e o privado está bem tênue, vê-se cenas que antes não se via.

Ultimamente, meu olhar tem se dirigido à relação de avós e netos, uma novidade do mundo contemporâneo. Ambos os papéis mudaram muito na atualidade, e tem crescido o número de crianças e jovens que se relacionam cotidianamente com os avós, fato raro décadas atrás.
Por sinal, um fenômeno interessante ocorre concomitantemente: com a diminuição do número de filhos e o aumento da longevidade, temos hoje, com frequência, mais avós do que netos -o que interfere nas relações entre eles.

Afinal: qual o papel dos avós na atualidade?

É expressivo o número de avós, de todas as classes sociais, que assumiram o processo educativo dos netos, junto com a responsabilidade pelo sustento deles ou não. Muitas mulheres deixam o filho com os avós enquanto cumprem sua jornada de trabalho -por razões econômicas ou por escolha-, e isso tem gerado inúmeros conflitos de geração. Outros pais, dedicados em demasia à própria vida, abandonam seus filhos e os deixam com seus pais enquanto se divertem em festas, viagens etc.

Uma questão importante a ressaltar é que, ao assumirem a responsabilidade pelos netos, os avós -notadamente as avós- conseguem manter, de modo sutil ou escancarado, os filhos adultos sob sua dependência. E, como para tornar-se mãe ou pai é decisivo deixar de ocupar o papel de filho/a, isso colabora para que as relações entre as três gerações se tornem mais complexas ainda.

Não podemos esquecer também que muitos pais, hoje, estão muito comprometidos com a parte operacional da formação dos filhos. Boa parte de seu tempo e disponibilidade é dedicada a escolher os cursos e a escola que irão frequentar e ao acompanhamento dos estudos, dos compromissos sociais dos filhos etc.

Tanto empenho tem seu preço: a parte afetiva nas relações com os filhos tem sido bem prejudicada. Em falta, eu diria. E, na busca de um porto seguro afetivo, é muitas vezes nas relações com os avós que crianças e adolescentes têm encontrado o lenitivo necessário quando enfrentam as inevitáveis vicissitudes da vida.

É importante que lembremos que as relações entre avós e netos não são naturais, são construídas. Nossa responsabilidade é grande porque estamos criando uma cultura nesse campo, já que o modelo antigo não faz mais tanto sentido.

A questão que mais nos importa é: que papel a geração intermediária entre avós e netos quer exercer nessa criação?

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Uma opinião sobre “O papel do avós

  1. Tento estabelecer um relacionamento pacífico, carinhoso, de compreensão com meus netos que são 8.
    Mas nem todos me aceitam bem,como não aceitam também seus pais,ou quando moram muito distantes, em outro estado, pois afinal tem pouco contato comigo.
    Magoo-me muito quando o neto mais velho , a quem dediquei boa parte de minha mocidade de 30a 40anos, me esclarece que sou carta fora do baralho. Não foi sempre assim e espero que ele retome o respeito e o amor que exixtia antes entre nós.
    Falta maturidade aos jovens de hoje. Educação também.

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